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Notícias Jaguari

Dia Nacional do Pesquisador

Publicado em Quinta, 28 de Junho de 2018, 10h40 | por Ascom Jaguari | Voltar à página anterior

Como no dia 08 de julho se comemora o Dia Nacional do Pesquisador, entrevistamos o professor Vantoir para conversarmos sobre pesquisa e como se tornou pesquisador.

Por que fazer pesquisa?

Vantoir: Bem, é preciso situar que estamos fazendo pesquisa em um lugar específico, qual seja um Instituto Federal de Educação. Essa demarcação é bem importante, uma vez que entendemos a pesquisa como um espaço de empoderamento, um espaço que torna nossos estudantes/professores/pesquisadores autores/produtores de conhecimentos. Isso não é algo simples e trivial.

 Se você me perguntasse por que estou trabalhando num Instituto Federal, eu diria que é porque há mais ou menos 16 anos atrás a professora Valeska Fortes de Oliveira me convidou a participar de seu grupo de pesquisa (GEPEIS), convite que fez com que eu me constituísse no profissional que sou hoje. Se não fosse esse “momento charneira” em minha vida tudo teria sido diferente.

No GEPEIS e no MAGMA (o grupo de pesquisa que Coordeno, juntamente com a Professora Neiva Auler e uma equipe interdisciplinar) trabalhamos à luz do Imaginário Social de Cornélius Castoriadis, tentando compreender os sentidos e significados que têm movimentado ou não a sociedade contemporânea. Nela estão inseridas a educação, a docência e a formação docente.

Então, por que fazer pesquisa? Faço pesquisa porque amo a docência. Contraditório? Na minha opinião, não. A pesquisa fortalece e aguça o professor a pesquisar seu cotidiano, o seu fazer, as suas práticas. Faz com que ele esteja atento e busque não cair na repetição, além de permitir a reflexão sobre a prática. Em alguns momentos, tenho a impressão que não vemos o potencial dos nossos estudantes. A pesquisa tem me ajudado a mostrar para os alunos, com os quais trabalho, que eles podem muito mais do que eles mesmos acreditam. É lindo ver nossos estudantes se descobrindo, aprendendo a escrever, apresentar um trabalho num evento, produzir um artigo.

Enfim, a pesquisa empodera, lapida, impulsiona. Faço pesquisa porque a pesquisa me constituiu, fiz minha formação toda em uma universidade pública e ainda gratuita, é meu dever moral retribuir com a sociedade com o que recebi e é isso que tentamos fazer em nosso grupo de pesquisa. Ao trabalhar com os estudantes vimos materializar-se algo próximo à metáfora da lapidação do diamante. O detalhe é que o ourives é o próprio sujeito, nós o ajudamos, mas é ele que precisa fazer o trabalho de reconhecimento sobre si mesmo e rumar em busca da evolução. Esse é o nosso papel – ajudar os estudantes a crescerem – e esse processo também é de aprendizagem para nós.

Se os estudantes me perguntassem por onde começar eu diria: lendo, estudando e escrevendo e começaria indicando 3 livros:

  1. 1. “ Histórias impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores” de Efrain Rodrigues;
  2. 2. “Orientação de dissertações e teses – em que consiste” de Sueli Mazzili; e
  3. 3. “A arte de reduzir as cabeças” de Dany-Roberto Dufour.

Me parece que às vezes precisamos fortalecer a pesquisa em nossa instituição; e fortalecer a pesquisa é qualificar a formação dos estudantes e dos servidores. Isso não é custo, isso é investimento. Nesse sentido, precisamos de espaço físico, políticas institucionais e muita força de vontade para que nos motivemos e motivemos outras pessoas. Às vezes, tenho impressão que esquecemos da essência de nossa instituição, a qual deve comprometer-se com uma gestão colegiada, democrática e partilhada. Esse ideário é muito bonito de dizer, entretanto, difícil de fazer. Precisamos criar espaços/tempos de fortalecimento da instituição para constantemente retomarmos os nossos objetivos. Objetivos estes que se comprometem com os estudantes e, às vezes, parece que esquecemos por culpa da força opressora do capital que, com muita frequência, invade silenciosamente nossos espaços de trabalho e acabamos por priorizar nosso desejo individual esquecendo do coletivo.

 Por que fazer a sua pesquisa?

Vantoir: Nossa pesquisa busca mapear representações de docência do professor da EBPT. Ela é uma possibilidade de compreensão do que nós educadores que trabalhamos nos IFs temos feito para materializar a missão da Rede Federal de EBPT. A pesquisa está em fase de implementação e tem realizado coletas de dados em várias unidades do país. Esperamos que os resultados nos forneçam “lentes” para compreender como a Rede Federal tem trabalhado para produzir a docência alinhada (ou não) com o objetivo da mesma.

O que espera com o projeto?

Vantoir: Que ele possa contribuir com a formação dos estudantes da Licenciatura da unidade que participo e que venha a ajudar os IFs a avaliarem sua constituição enquanto rede federal que sabe – ou deveria saber – que foi criada para trabalhar com uma incoerência epistemológica, qual seja, vivemos num modo de produção capitalista cuja essência é a exclusão e ousamos ser uma instituição que acredita/prima pela inclusão, ou seja, temos uma boa contradição epistemológica.

Como os estudantes participam?

Vantoir: Os estudantes participam tanto na condição de bolsistas ou como voluntários. Os que quiserem pleitear a bolsa acessam o SIG e se candidatam. Os demais, inclusive os servidores que quiserem participar do nosso Grupo de pesquisa podem nos procurar no Campus Jaguari, na sala dos professores ou nos encontros presenciais do grupo que nesse semestre acontecem às quintas-feiras, na dependência da Escola Básica Estadual Professora Guilhermina Javorski em Jaguari/RS.

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