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Entrevista: egressa do IFFar é uma das mais jovens doutoras do país

Publicado em Sexta, 08 de Outubro de 2021, 09h09 | por Assessoria de Comunicação | Voltar à página anterior

Fernanda Monteiro Rigue é egressa da primeira turma da licenciatura em Química do Campus São Vicente do Sul e neste mês tomou posse como professora de uma universidade federal.

Anexos:

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Foto: arquivo pessoal.

 

Nesta semana, iniciamos uma série que vai reunir histórias de egressos e egressas do IFFar. Nossa primeira entrevistada é a professora Fernanda Monteiro Rigue, egressa da primeira turma da licenciatura em Química do Campus São Vicente do Sul. Em 2020, com 26 anos, ela se tornou uma das mais jovens doutoras do Brasil ao defender sua tese no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSM. Em outubro de 2021, após ser aprovada em concurso público, ela tomou posse como docente efetiva na Universidade Federal de Uberlândia.

Ao longo de uma trajetória marcada pelo estudo da educação e da formação de professores, Fernanda já fez parte de vários projetos de pesquisa e de extensão. Seu trabalho está divulgado em mais de 60 publicações, entre artigos em periódicos científicos e capítulos de livros - sem contar os textos em anais de congressos e outros eventos dos quais participou. Além disso, a docente tem no currículo a organização de 12 obras, com destaque para a coletânea Rizomas em Educação (2021), que pode ser acessada aqui. A publicação reúne pesquisadores de todo o Brasil.

Em nossa conversa, ela relembra os tempos de IFFar e reflete sobre como a formação universitária na licenciatura, durante a qual foi bolsista PIBID e PIBITI, contribuiu para o seu interesse pela pesquisa. Também fala sobre a escolha pela docência, uma área que, segundo a professora, “permite ampliar leituras de mundo”. 

 

ENTREVISTA COM FERNANDA MONTEIRO RIGUE

 

A temática da educação e da formação de professores te acompanha desde a graduação. Foi nessa época em que surgiu o interesse pela pesquisa?

Fernanda: Sim. No IFFar, tive acesso a uma outra noção de mundo. Estar em São Vicente do Sul foi um divisor de águas. Sou egressa da primeira turma da Licenciatura em Química. Fui a primeira estudante formada, pois tive que colar grau antes por que passei no mestrado antes de acabar o curso. No IF, participei de uma série de programas. Fui bolsista PIBID, do primeiro edital. Fui bolsista PIBITI também e fui bolsista voluntária no LIFE. Participei das Comunidades Saudáveis, das MECTECs. 

Toda a minha vida dentro do Instituto Federal foi marcada pelos atravessamentos dos programas de pesquisa na minha formação. Eu morava na frente do IF. Então, era manhã, tarde e noite na instituição. E foi dentro desse caminho que a minha formação universitária se confundiu com a pesquisa. E, claro, eu percebi que eu era uma pessoa vinculada também ao campo da comunicação. Então, a docência e a pesquisa na área da educação foi algo que sempre extraiu de mim o melhor que eu poderia oferecer. Na educação, me sentia viva. Consegui perceber isso e fazer inclusive meu TCC sobre os atravessamentos dos programas de pesquisa na formação dos professores de Química. Foi aí que eu vi que era esse o campo que eu queria seguir.

 

Você pode falar um pouco mais sobre a escolha pela educação?

Fernanda: A educação transformou minha vida. A escola era aquele lugar de acolhimento, eu me sentia muito feliz na escola, pelo que as pessoas me ofereciam, e também por que ela me dava outra relação com o mundo. Sou natural de Jaguari, e foi na escola em que me aproximei de outras noções de mundo. A escolha pela profissão de professora não foi minha última opção. Sempre quis trabalhar em uma área que me permitisse ampliar leituras de mundo. Quando percebi que a docência cumpre esse papel 24h por dia, é que fui para esse campo. Então, a escolha pela formação enquanto professora, e também o mestrado e o doutorado, passa pelos atravessamentos da educação na minha vida. 

 

E é importante destacar que a sua trajetória foi toda em instituições públicas.

Fernanda: Exatamente. Venho de uma família de classe média baixa, como eu digo, 'filha de trabalhadores'. Minha mãe faleceu quando eu tinha 6 anos. E quem me criou foi meu pai, eu e a minha irmã, sozinho. E ele sempre disse: se tu queres construir algo, tu abraça e vai. As instituições públicas me ofereceram uma coisa importantíssima: o acesso. O Instituto foi pra mim uma segunda casa. Ali eu tinha condições de estudar, de fazer pesquisa e também tinha permanência, que ia desde alimentação até o auxílio transporte. Nós tínhamos na época muitos auxílios para participar de eventos, para fazer publicações, pra poder ter aquilo que é necessário para um estudante filho de trabalhador. 

Fui bolsista durante toda a minha permanência na licenciatura, três anos no PIBID e um ano no PIBITI. No mestrado e no doutorado também. E aí o rendimento tem que mudar, porque tu tem que produzir resultado. Então, as pesquisas foram esse incentivo: você pode ingressar, você pode se dedicar exclusivamente, mas você precisa dar a contrapartida.

 

O que você poderia dizer para os/as nossos/nossas estudantes que querem seguir a trajetória acadêmica?

Fernanda: Explorar toda a potência que existe nas instituições em que eles ocupam uma vaga. Pensar que quando um professor oferece uma vaga para um projeto de pesquisa, de extensão ou de ensino, ele está abrindo um leque de possibilidades para que o estudante consiga acessar uma multiplicidade do próprio curso. Que ele consiga perceber aí não mais uma tarefa para ser cumprida, mas uma chance de aprender alguma coisa que ele ainda não aprendeu antes. Eu sempre tive essa noção dentro do IF.

Digo a partir de um autor que pra mim é muito caro, que é o Fernando Deligny, que o IF é um criador de circunstâncias. Ele abre possibilidades. O que é preciso é que a gente consiga olhar para essas oportunidades também como uma chance de transformação de si. Como consigo ver isso pela via de uma chance para eu aprender algo novo, (…) e olhar para os componentes curriculares como um mundo que se abre, não como algo que precisa ser vencido. E eu diria que é olhar para essa possibilidade e ao mesmo tempo estar em contato com os professores. (…) E ter uma coisa que é crucial: humildade para reconhecer aquilo que não se sabe. Saber de onde se veio e poder honrar de onde vem e poder também convidar outras pessoas para chegarem perto. O IF ensina muito isso pra gente. Não só o Campus São Vicente do Sul, mas acho que é uma espinha dorsal do trabalho do IFFar e que tem vinculação com as perspectivas da própria rede federal. 

 

Você poderia falar mais sobre a sua formação no IFFar?

Fernanda: No IF a gente consegue pensar a formação integral da pessoa. Não no sentido de tempo integral, mas no sentido de pensar na dimensão humana, ética, estética do sujeito. Quando estamos aprendendo sobre um tema, a gente não olha só para o tema, mas a gente relaciona ele com o mundo. Porque ali a gente tem aluno do integrado, do subsequente, do ensino médio, graduação até a pós-graduação. Então isso dá pra gente o caráter transversal daquilo que a gente aprende. A gente aprende a pensar as coisas dentro dessa multiplicidade. Eu acho que é um diferencial que, inclusive, me ajuda hoje estar em qualquer lugar e falar sobre isso, por que eu aprendi a fazer isso na instituição. E, ao mesmo tempo, o curso de licenciatura me deu uma base de formação pedagógica que eu vejo que ainda em outros lugares ainda não é tão desenvolvida como no IF. 

 

Por fim, a docente destacou os vínculos que estabeleceu no IFFar e que leva por toda a vida.

Fernanda: No IF eu consegui estabelecer relações vinculares que permitiram me transformar. (...) O que fica da instituição são esses vínculos que nos ajudam a pensar o mundo de outra forma e criar pontes com outros tantos mundos. O que a gente carrega são as pessoas. Tu não vai lembrar daquela disciplina expressamente complexa e difícil, mas vai lembrar das pessoas que tu encontrou no caminho, de alguém que te ajudou a entender algum conceito, de quem te levou pra conhecer alguém que poderia te ajudar a entender alguma coisa, desde o porteiro até a cozinheira no refeitório. Eu sinto hoje, olhando pra trás, que a instituição deixou rastros na minha formação e eu também deixei rastros nela. Então acho muito bonito isso. E o meu intuito é, quando eu puder trabalhar, é também poder fazer isso: deixar essas marcas na vida das pessoas da mesma forma que o IF produziu em mim.

 

Entrevista realizada no dia 26/08/21, via Google Meet.

 

Siglas que aparecem no texto

PIBID - Projeto Institucional de Iniciação à Docência

PIBITI - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação

LIFE - Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores

MECTEC - Mostra de Educação, Ciência,Tecnologia e Cultura promovida pelo Campus São Vicente do Sul

 

 

Confira mais histórias no Portal de Egressos do IFFar

 

Secom 

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