Meninas tem maior participação em projetos de pesquisa do IFFar
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é comemorado em 11 de fevereiro. A data instituída pela ONU propõe a reflexão e estimula a participação feminina na ciência, que ainda é globalmente menor que a masculina. No IFFar, as meninas são a maioria entre estudantes que recebem bolsas de pesquisa.
Imagem: arte alusiva ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência sobre foto de aluna do IFFar (crédito: Secom e banco de imagens/IFFar)
De acordo com um relatório publicado em 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), no mundo todo, as mulheres representam um terço dos/as pesquisadores/as.
Mesmo assim, são elas que têm maior probabilidade de acessar o ensino superior: 46% das mulheres ingressam na graduação em até cinco anos após completar o ensino médio, contra 40% dos homens.
No IFFar, em 2025, não houve diferença significativa entre o número de alunas e alunos, tanto nos cursos técnicos quanto nos de graduação. Os dados daquele ano, fornecidos pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen), indicam que 49,65% dos/as estudantes da Instituição eram mulheres (confira os dados compilados no final desta notícia).
Já os números de distribuição de bolsas de pesquisa mostram que as alunas podem ter maior participação na ciência desenvolvida pelo IFFar. De acordo com a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPPGI), quase 80% das bolsas de pesquisa eram recebidas por meninas em 2025.
A professora Thirssa Grando, pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFFar, explicou que não há editais ou políticas específicas que estimulem a participação das alunas nas seleções de bolsas de pesquisa.
Foto: professora Thirssa Grando fala durante Mept 2025, em Santa Rosa (crédito: arquivo/Secom)
Há, no entanto, setores como os Núcleos de Gênero e Diversidade Sexual (Nugedis) e a Coordenação de Ações Afirmativas (CAA) que desenvolvem ações e discussões envolvendo gênero e empoderamento feminino. Estas atividades podem ter influência na participação de meninas em atividades diversas, como as de pesquisa.
Além disso, Thirssa Grando destacou que, no IFFar, tem havido nos últimos anos um “protagonismo feminino” em cargos de gestão. Além da reitora, professora Nídia Heringer, e de duas pró-reitoras, oito dos 11 campi do IFFar são dirigidos por mulheres.
“Acho que esse espelho é importante. É uma forma de as meninas se sentirem mais à vontade em poder concorrer e se colocar à disposição de projetos de pesquisa”, reflete a professora Thrissa Grando.
Projeto coordenado por professora do IFFar foi premiado no Bye Bye Boss 2025
A professora do Campus Alegrete Jiani Roza coordena um dos 255 projetos de pesquisa em andamento no IFFar. A pesquisa dela envolve o estímulo à leitura entre crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Foto: professora Jiani Roza (de camisa rosa e crachá) recebe premiação do Bye Bye Boss junto de colegas e alunos/as bolsistas (crédito: Jiani Roza)
O projeto foi apresentado como ideia inovadora durante a Mostra da Educação Profissional e Tecnológica do IFFar (Mept 2025) e obteve o 2º lugar no desafio de empreendedorismo Bye Bye Boss, na categoria Edutech.
A proposta consiste na elaboração de um aplicativo que gera histórias e ilustrações infantis com auxílio de Inteligência Artificial Generativa. O projeto está sendo desenvolvido com crianças de até 8 anos em cinco escolas de Alegrete.
Jiani Roza explica que a pesquisa contribui para a melhoria da qualidade de vida das crianças por meio do desenvolvimento da linguagem e da comunicação. As histórias levam em conta o repertório de interesse dos indivíduos com TEA e favorecem o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
A pesquisa tem como título "Uma proposta para incentivar o desenvolvimento da linguagem e da comunicação em crianças diagnosticadas com TEA a partir da criação de histórias infantis personalizadas com auxílio da Inteligência Artificial". O projeto tem a participação de dois estudantes voluntários e uma aluna bolsista, todos do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
Também participam da pesquisa os/as professores/as Marcelo Pedroso da Roza, Rumenigue Hohemberguer e Josiane dos Anjos, além da participação voluntária de duas psicopedagogas com expertise em TEA.
Servidoras são maioria no IFFar, mas coordenam menos projetos de pesquisa
No IFFar, as mulheres coordenam um número de projetos de pesquisa ligeiramente menor que os homens, mesmo sendo maioria na Instituição. Em 2025, elas representavam 53,52% dos/as servidores/as do IFFar e coordenaram 119 dos 255 projetos de pesquisa, o que representa 46,66% do total.
Foto: o projeto Gurias na Ciência estimula a participação de meninas em atividades de pesquisa (crédito: arquivo/Secom)
Embora em menor número, a professora Jiani Roza considera a quantidade de projetos coordenados por mulheres expressivos e salienta a diversidade de atividades que elas desenvolvem na instituição.
“No IFFar, temos um leque muito grande de atividades, e as mulheres estão em constante atuação em coordenação de curso, direção, pesquisa, inovação, entre outras atividades, oxigenando o conhecimento e fortalecendo o ensino e aprendizagem ao unir teoria e prática”, avalia Jiani Roza.
A professora Thirssa Grando também considera a diferença pouco significativa. Ela sugere que a participação ligeiramente menor das mulheres em projetos de pesquisa no IFFar pode ser vista como reflexo da gestação.
“A idade média das servidoras pode explicar a diferença. É neste período que as mulheres se doam à maternidade. Além do período que elas ficam em licença, existem estudos científicos que mostram que a produção científica delas decai por um período de até dois anos”, explica a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFFar.
Em atenção a esta questão, os editais de fomento à pesquisa do IFFar concedem um período de entrega adicional às mulheres que passem pela gestação durante o desenvolvimento de seus projetos.
Confira os dados compilados sobre a participação de mulheres e meninas na ciência no IFFar
Os números abaixo apresentam dados levantados pela Secom para reportagens publicadas nos últimos quatro anos. Em 2022 e 2023 não foram levantados dados sobre alunos. As fontes são o Sistema Integrado de Gestão (SIG), a PRPPGI, a Proen e a Plataforma Nilo Peçanha.
- 2022
- Servidoras: 53,45% (SIG)
- Projetos Coordenados por Mulheres: 48,30% (PRPPGI)
- 2023
- Servidoras: 52,22% (SIG)
- Projetos Coordenados por Mulheres: 44,15% (PRPPGI)
- 2024
- Servidoras: 52,74% (SIG)
- Projetos Coordenados por Mulheres: 53,23% (PRPPGI)
- Alunas: 54,04% (PNP)
- Alunas bolsistas: 62,37% (PRPPGI)
- 2025
- Servidoras: 53,52% (SIG)
- *Projetos Coordenados por Mulheres: 46,66% (PRPPGI)
- Alunas: 49,65% (Proen. Não inclui estudantes da pós-graduação. Os números da PNP ainda não haviam sido compilados na data de elaboração da reportagem)
- Alunas bolsistas: 79,38% (PRPPGI)
*Apesar da redução da porcentagem de projetos coordenados por mulheres no IFFar de 2024 para 2025, não houve redução em números absolutos. Ocorreu aumento no número de projetos coordenados por homens. Em 2024 eram 201 projetos em execução, dos quais 107 coordenados por mulheres. Em 2025, dos 255 projetos em execução, 119 foram coordenados por servidoras.
Saiba mais
Em 2025, publicamos reportagens abordando dois projetos do IFFar que estimulam a participação de meninas na ciência. Conheça as ações nos links abaixo:
- Gurias na Ciência: quando o futuro científico começa na escola
- Projeto do IFFar promove diversidade e igualdade de gênero na TI
O IFFar divulga ações institucionais com participação feminina no 11 de fevereiro desde 2022. Confira as notícias nos links abaixo:
- (2025) Projetos do IFFar incentivam participação feminina na ciência
- (2025) Confira depoimentos de mulheres e meninas que fazem ciência no IFFar
- (2024) Projeto de pesquisa do IFFar busca melhorar diagnóstico de doenças em cães e gatos
- (2023) Projetos do IFFar levam diálogos sobre Gênero e Violência Sexual a escolas
- (2022) Conheça dois projetos de pesquisa do IFFar coordenados por mulheres
Secom




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