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Estudante do IFFar recebe menção honrosa por pesquisa que identifica caça ilegal na FLONA-PF

Publicado em Quinta, 18 de Dezembro de 2025, 14h55 | por Secretaria de Comunicação | Voltar à página anterior

No silêncio aparente da Floresta Nacional de Passo Fundo (FLONA-PF), há sons que o ouvido humano não percebe, mas que dizem muito sobre o futuro da biodiversidade. Entre outubro de 2023 e novembro de 2024, gravadores instalados em árvores registraram milhares de horas de áudio. Em meio ao canto das aves e ao vento passando entre as copas, um outro som se revelava: disparos de armas de fogo.

Capa pôster

Felipe Brum (vestindo camiseta preta) apresenta o pôster premiado durante o II Congresso Brasileiro de Bioacústica, em Florianópolis/Foto: Divulgação

O estudo, "Monitoramento acústico passivo da incidência de caça ilegal em uma unidade de conservação no sul da Mata Atlântica", conduzido pelo acadêmico de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFFar – Campus Júlio de Castilhos Felipe Brum e orientado pelo professor Anderson Saldanha Bueno, acaba de receber Menção Honrosa no II Congresso Brasileiro de Bioacústica (SBBa), realizado em outubro deste ano, em Florianópolis (SC). O trabalho foi apresentado em formato de pôster e concorreu com pesquisas de diversas instituições do país.

“Foi uma surpresa e uma alegria imensa”, conta Felipe. “Esse reconhecimento mostra que o caminho da pesquisa é possível para nós, estudantes do interior, e reforça a importância da ciência que nasce na educação pública”, completa.

O que a floresta revelou

A pesquisa premiada integra o Projeto FLORESTAS, iniciativa que reúne diferentes linhas de investigação sobre biodiversidade na FLONA-PF. Para realizá-la a equipe utilizou monitoramento acústico passivo, uma técnica que emprega gravadores autônomos, no caso, dispositivos AudioMoth, programados para registrar sons de forma contínua durante cinco dias por estação do ano.

Audio poster
AudioMoth fixado no tronco de uma árvore para registrar sons da floresta durante o monitoramento acústico na FLONA-PF/Foto: Divulgação

Os 18 pontos de amostragem representavam três ambientes: floresta ombrófila mista (nativa), plantios de araucária e plantios de pinus. O resultado foi um grande banco de dados: 12.900 horas de gravações posteriormente analisadas na plataforma Arbimon (ferramenta gratuita, com inteligência artificial, que armazena, gerencia, visualiza e analisa grandes volumes de dados acústicos em projetos de monitoramento de biodiversidade e conservação ambiental).

O objetivo era claro: detectar disparos e identificar padrões de atividade de caça ilegal, uma das maiores ameaças à fauna de médio e grande porte.

“Esse tipo de monitoramento é fundamental porque permite registrar eventos que dificilmente seriam observados em campanhas tradicionais de campo”, explica Bueno. O professor destaca que a técnica amplia a capacidade de vigilância, sobretudo em unidades de conservação com extensas áreas e equipes reduzidas. “A bioacústica abre um novo horizonte de possibilidades para a conservação”.

Ao todo, foram detectados 122 disparos. A floresta natural apresentou a maior incidência, com 49,2% dos registros, seguida pelos plantios de araucária (26,2%) e pinus (24,6%). O outono foi a estação com maior atividade de caça.

Os resultados levantam alertas importantes: justamente os ambientes mais valiosos para a conservação da fauna são os que sofrem maior pressão humana. Ao mesmo tempo, o estudo demonstra a efetividade do monitoramento acústico para identificar locais e períodos críticos, podendo subsidiar a atuação de gestores ambientais.

Ciência que transforma

Para Felipe, analisar esse conjunto de dados foi, por si só, uma experiência bastante significativa. “Ver o mapa dos disparos surgindo a partir dos sons foi muito impactante. A gente começa a compreender a floresta de outra maneira, como um espaço vivo, vulnerável, e onde cada informação pode fazer diferença para proteger as espécies”, comenta.

O estudante ingressou no Projeto FLORESTAS como voluntário, ainda no início da graduação, em 2022. Foram três longas campanhas de campo, convivendo com outros grupos de pesquisa que também atuavam na unidade de conservação.

“Aprendi muito com colegas em diferentes níveis acadêmicos. Cada ida ao campo era uma oportunidade de trocar conhecimento, entender as metodologias de outras equipes e me aproximar ainda mais da área da conservação”, relata. “Participar de um projeto assim amplia a visão que temos sobre o que significa ser biólogo”.

O professor Anderson Bueno destaca que o mérito da premiação é inteiramente dos estudantes. “O trabalho do Felipe é resultado de dedicação, curiosidade científica e compromisso com a conservação. Ver um estudante de graduação alcançar essa visibilidade é a prova de que o investimento em pesquisa na Rede Federal gera frutos concretos”.

A menção honrosa, pontua o orientador, também reforça a relevância da FLONA-PF como espaço de pesquisa aplicada e formação científica. “O estudo contribui para mostrar o papel central da Unidade de Conservação na proteção da fauna regional e na geração de conhecimento para orientar estratégias de fiscalização e manejo”.

O reconhecimento nacional recebido pelo trabalho indica caminhos para futuras pesquisas. A equipe pretende aprofundar as análises acústicas e integrar os dados a outras iniciativas do Projeto FLORESTAS, que já investiga aves, mamíferos, insetos, plantas e processos ecológicos variados.

Felipe diz que a experiência o motivou a continuar na vida acadêmica. “Esse projeto mudou minha trajetória. É inspirador perceber que a ciência que fazemos aqui pode impactar políticas de conservação em escala maior”.

Para o IFFar, o trabalho confirma o potencial do Campus Júlio de Castilhos como polo de produção científica na área ambiental. E para a FLONA-PF, representa mais um passo em direção ao fortalecimento das ações de proteção da fauna.

“Quando a floresta fala, é nosso papel ouvir”, resume Felipe.

Redação: Daniele Vieira - estagiária de Jornalismo
Revisão : Rômulo Tondo - Jornalista 

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